Devo admitir: uma nova fantasia me assola a mente nos últimos dias...
Depois de 32 dias chorando ininterruptamente veio-me uma idéia salvadora, uma cena na cabeça que parece conter todas as respostas.
Eu chego em casa cansado do trabalho, tomo um banho, me arrisco a comer alguma coisa mas tudo está gelado.
Ponho meu pijama, pego o cobertor e minha mochila e saio para rua. Evito os lugares mais cheios apenas, mas não os escuros. Penso em passar em algum mercado e comprar algo para aguentar a madrugada.Na fantasia eu estou com o computador, sentado debaixo de um viaduto.
Passar a noite na rua, a vagar, a pensar... Passar a noite toda, hora num ponto de onibus, ora no MASP, ora no centro com as prostituas. Aliás, esqueça-se o pijama: fica a calça jeans escura e uma camiseta preta. Totalmente invisível aos que me querem e completamente nu para a cidade.
A fantasia acaba aqui, não tem a volta para casa, nem mesmo o amanhecer. Tudo se perde na noite escura.
Há tempos, soube de uma amiga que passou algumas noites na rua, dormindo em rodoviárias, vagando pela vizinhança. Me ofereci, para quando isso acontecesse de novo acompanhá-la. Não, não era caridade. Era egoísmo. Poder passar uma noite na rua...
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