segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Uma mente com lembranças

Será que eu tenho o direito de apagar tudo que você viveu? Será, que se numa dessas voltas do mundo as coisas voltarem, eu terei o direito de pedir pra você esquecer como é o mundo sem mim? Ou será que eu só poderei ter a certeza de nós enquanto você estiver com esses frescor na memória?
Alguns dizem que depois da tempestade vem a calmaria... Eu digo que depois da tempestade vem o molhado! Estou no molhado... Tudo parece estar mais vivo, mais colorido, mas as marcas da tempestade ainda não se foram. É como ver uma roseira despedaçada pelo vento e pela chuva: ela parece mais intensa, mas ainda sim está fada a morte!
Voltar não foi fácil e incerteza da segunda volta é muita ainda. Será que você pensa em mim? Será que ainda se lembra de mim, de vez em quando? Tem dias, como hoje, em que eu acordo e você simplesmente está lá, de pé, a me olhar. Às vezes com um sorriso, às vezes sério, ou, apesar de estar em mim, totalmente alheio a minha presença.
Em outros momentos, é o mundo que me joga você no colo. Seja como for, esses momentos estão ficando cada vez mais raros, cada vez mais dispersos e cada vez menos intensos... Tenho muito medo disso. Muito medo de te esquecer. Muito medo de perder você dentro de mim.
Alguns significados já se perderam na rede e algumas associações já são pálidas.
Você está se tornando um fantasma. Não daqueles furiosos, que nos assombram e perseguem, que nos exigem e esvaziam. Um fantasma vazio, daquelas almas errantes que simplesmente nos transpassam, arrepiam todos os cabelos da nuca e se vão.
Me deixe saber se você está vivo, se eu estou vivo pra você.
Me deixe.

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