domingo, 12 de junho de 2011

Carta de amor #2

Eu te amo, e isso me incomoda. Como uma coceira contínua no coração e um pensamento recorrente na cabeça. Mesmo com sua pretensão, com sua presunção.
Te ouvir, ainda que seja com um não, me acalenta. Me banha a alma e ilumina a escuridão das coisas. Não que um não deixe de doer, mas, apenas que, momentaneamente a fora e o conteúdo se fundem uníssonos, vibrando no meu peito. Isso não tira a mágoa, apenas não a deixa rancorosa, por alguns instantes.
Sinto sua falta, seja lá o que significar. Daqui a pouco é dia 12/06, mas talvez seja melhor comemorar nós dois no 02/11. Sinto sua fala, mas estou aprendendo a viver sem você. Até tinha conseguida, mas a pancada dos últimos dias foi muito forte e eu não resisti. Mas, acredite em mim, não haverá mais quedas para o seu lado.
De ontem em diante, agora e sempre, eu vou crescer, eu vou ser forte e vou ser longe. Ainda que eu ande no vale da sombra da morte eu não te chamarei.
Sei que, no fim, tudo que você tem a me dizer é "você causou isso". Antes eu morreria com essa frase, mas, hoje, depois de ontem, enxergo isso como quem lembra quando derramou o leite pela primeira vez. Doeu, mas hoje não é castigo.
Me libertei de muitas coisas nos últimos dias, de grilhões e de felicidades. De desculpas e de virtudes. Dos anjos e da danação. Voltei. Voltei a mim, me reencontrei. Mas ainda não reencontrei a minha paz. Ela não há sem você.
E, por gentileza ou traquinagem, quis o destino que tudo começasse do zero: eu duro, você em si; eu sozinho, você cercado; nós magros e desconhecidos um do outro. Será que um dia nos reencontraremos?
Eu te amo com o amor de uma vida passada e uma vida presente que eu não sei qual é.

Nenhum comentário:

Postar um comentário