- Alô.
- Alô, oi! Sou... Sou eu.
- Oi.
- Oi, to ligando pra saber se está tudo bem.
- Aham.
- Mesmo?
- Sim, mas não graças a você.
(Silêncio)
- Olha... Desculpa, eu não...
- Você não devia fazer promessas que não pode cumprir, nem falar o que não sente de verdade. Não foi sempre isso que você me cobrou?
- Mas você... Olha, eu não quero brigar, eu só quero dizer que se precisar de algo...
- Eu posso contar com você? Já ouvi isso antes... E já precisei.
- Não precisa ser tão grosso.
- E também não preciso mais ser delicado. Já não preciso muita coisa com relação à você.
- Você queria o que também, me ligando daquele jeito, aquela hora?
- Nada, nada... Só que você me ouvisse, que alguém me ouvisse. Mas você mandou alguém pra mim, obrigado.
- Eu não sabia, eu não....
- Mas foi bom. De certa forma, você me libertou, me libertou de mim mesmo. De muita coisa. Obrigado.
- Er... Que bom, então.
- Só mais uma coisa - coisas a parte, quando você precisar eu vou estar lá. Pode contar comigo pra qualquer coisa.
- Eu... Ok... Ah...
- Tchau, se cuida
- Tch...
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